O profeta e a mula: um diálogo surreal

 

O profeta era o responsável por revelar a vontade de Deus ao povo, seja dizendo que Deus havia mandado dizer, seja quando o povo desejava saber a vontade d’Ele. 

Deus usou muitos profetas para fazer conhecida a sua vontade.
Elias e Elizeu são dois desses profetas que nos parecem ter vivido para fazer a vontade de Deus, fazer seu nome conhecido, deixando-nos como legado, exemplos de obediência e submissão.
Provisão, cura e ressurreição estão entre os seus feitos. 

Mas temos um outro profeta que resolveu seguir numa outra direção.
Balaão recebeu mensageiros com uma mensagem clara: ir com eles e amaldiçoar um povo. Ele consulta Deus para saber a sua vontade e obtém a resposta: não vá!

“Não vá com eles. Você não poderá amaldiçoar este povo, porque é povo abençoado”. (Num. 22.12)

Ele dispensa os mensageiros e parece ter entendido a vontade de Deus. 

Mas chega outro grupo de mensageiros, mais numeroso e mais importante, com a mesma proposta e uma recompensa mais generosa.
Ele os acolhe e consulta novamente a Deus. Consulta a fim de saber o que Deus já havia dito, na expectativa de ouvir uma resposta diferente. E ouve.
Deus autoriza a ir com eles, mas dá ordens específicas de como deverá proceder. 

– “Que foi que eu fiz a você, para você bater em mim três vezes?”

– “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”

– “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?”

– “Não, disse ele”.

(Num. 22.28-30) 

O homem que falava com Deus e o ouvia, agora estava dialogando com uma jumenta. Uma jumenta que o impediu de ser morto com a arma que ele desejou possuir para matá-la.
Mas quando seus olhos são abertos e ele vê o Anjo do Senhor, ele reconhece o seu pecado e se prostra. Arrependido, decide voltar, mas mais uma vez o Senhor o autoriza a prosseguir. E novamente lhe dá ordens específicas de como proceder (Num. 22.35). 

Que na nossa caminhada com Deus estejamos dispostos a tão somente obedecer a Deus, cumprir a sua vontade, dizer tão somente o que ele nos manda dizer. Nos calarmos, quando ele mandar calar.